Em pleno Abril Vermelho organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) , dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INGRA) revelam que acesso a terra por camponeses no Brasil pouco avançou no primeiro ano do governo da presidenta Dilma Rousseff.
Em 2011 foi registrada a pior marca dos últimos dezessete anos apenas 22.021 famílias conquistaram lotes em assentamentos, contrariando a expectativa dos movimentos sociais do campo, como se não bastasse isso, Dilma está bem atrás do que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram no primeiro ano de seus respectivos governos.
Também para 2012 a expectativa em relações às ações do governo não é animadora. De acordo com a assessoria de comunicação do Incra, não mais que 35 mil famílias devem ser assentadas neste ano.
"Se isso se confirmar, o Brasil retrocederá aos patamares dos anos de 1994 e 2004", avalia Bernardo Mançano Fernandes, especialista em geografia agrária e um dos coordenadores do Data Luta – banco de dados do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos da Reforma Agrária da Unesp (Universidade Estadual Paulista) que sistematiza dados do Incra, dos movimentos sociais e dos Institutos de Terras Estaduais.
Para essa avaliação, Mançano considerou os números do banco acadêmico. Mas, se comparada aos números oficiais do Instituto, a estimativa do governo para esse ano deve significar o segundo pior resultado desde 1995.
"Existe uma tendência de decaída no número de assentamentos. Há no governo federal, desde o período de FHC até hoje, uma política e um pensamento que desvalorizam a agricultura camponesa. Eles não veem potencial nesse desenvolvimento, não há metas oficiais estabelecidas", constata o pesquisador.