29/10/2009
Aqui, “ralé” é a grande esquecida, afirma sociólogo Jessé Souza da UFJF "A ralé é a grande questão esquecida". A afirmação foi feita pelo sociólogo Jessé Souza, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). "O Brasil não tem 500 problemas, mas um grande problema, que é essa desigualdade abissal do qual decorre mais de mil problemas", salientou Souza, que lançou, durante o 33º Encontro Anual da Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu (MG), o livro A ralé brasileira (Editora UFMG), com dele e de outros autores. De acordo com levantamento feito para o livro, um terço dos brasileiros vive sob condições precárias e excluídos sócio-culturalmente. Para Souza, o problema da ralé é a questão mais importante no Brasil moderno e está associada a outros problemas como a segurança pública, o trabalho informal, o racismo e o preconceito regional. "Apesar da importância social que tem, a desigualdade não é nem percebida enquanto tal. Nós a naturalizamos", destaca o sociólogo. Ele, no entanto, diz acreditar que esse pensamento não é racional, mas tem uma função mais eficiente justamente por ser pré-reflexivo: "As idéias estão dentro da cabeça para justificar nosso comportamento. Queremos que matem a ralé, mas ninguém vai dizer: "Eu odeio pobre, eles têm mais é que morrer". O comportamento efetivo, a ação do brasileiro, porém, vai ser de bater palma", disse citando o episódio em que um PM foi aplaudido após matar um ladrão que mantinha uma mulher refém, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. (Fonte: Monitor Mercantil) ![]()
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