Depois de atingir inacreditáveis R$ 236,673 bilhões ano passado, a gastança com juros da dívida pública deve recuar este ano, Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, o governo deve economizar, este ano, cerca de R$ 37 bilhões em juros.
Essa queda, que equivale à praticamente o que o governo deixou de arrecadar com o fim da CPMF - R$ 40 bilhões - deve ocorrer graças à redução da taxa básica de juros (Selic), que, ano passado, fez momento inverso.
Ano passado, a sangria dos juros consumiu 5,72% de tudo que o país produziu - Produto Interno Bruto (PIB) - o maior desperdício com essa rubrica desde 2007 (6,11%).
Para este ano, a previsão do BC é de que os gastos com juros representem 4,3% do PIB. Com isso, segundo Maciel, o governo deve gastar este ano "algo em torno de R$ 200 bilhões" com juros.
Ou seja, sem o movimento de alta dos juros deflagrado pelo próprio BC ano passado, o governo vai deixar de gastar praticamente o equivalente à metade do orçamento destinado para a Saúde este ano, que soma R$ 80 bilhões.
A redução da gastança com juros também deve ser influenciada pela queda, este ano, da inflação, que corrige pouco menos de 30% da dívida pública. A Selic é o indexador que corrige um pouco mais de um terço do total do débito.
Apesar de os juros serem a principal causa da sangria nos gastos públicos, Maciel preferiu insistir em que "a situação fiscal robusta" do Brasil constitui um diferencial em relação a outros países que enfrentam deterioração das contas públicas, se referindo ao desvio de recursos da economia para torrar com juros (superávit primário). (Fonte: Valor Econômico)